URUGUAI – Cultura e tradições

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A sociedade uruguaia é basicamente a herdeira de um sólido substrato cultural europeu que foi influenciado por outras tradições culturais.

O mate, bebida de origem indígena; o carnaval de raízes hispânicas, mas com uma notória influência de ritmos e expressões folclóricas africanas; o tango, nascido da fusão de tradições musicais dos negros africanos e dos ritmos e instrumentos europeus e crioulos; o gaúcho que testemunha com a sua forma de vida uma singular amálgama da cultura hispânica com a indígena; são alguns dos exemplos que nos falam do encontro de tradições muito diferentes e que explicam, de certa forma, a formação da cultura uruguaia actual e consequentemente, a sua sociedade.

Tradições

Tango

O tango é uma das mais genuínas e originais expressões culturais do Río de la Plata. Nascido da fusão das tradições musicais de origem africana e dos ritmos e instrumentos europeus e crioulos, é uma fiel testemunha da história cultural da região. A gestação do tango ocorreu tanto em Buenos Aires como em Montevideo. E um exemplo tangível é a obra “La Morocha” composta em Buenos Aires em 1905 pelo uruguaio Enrique Saborido, e “Mi Noche Triste”, escrita em Montevideo pelo argentino Pascual Contursi em 1916.
O “hino” de todos os tangos, “La Cumparsita“, foi escrito pelo uruguaio Gerardo Matos Rodríguez; do mesmo modo, Carlos Gardel, de reconhecimento internacional, é considerado o maior intérprete uruguaio da história do tango.

Carnaval

Os festejos do carnaval uruguaio são os mais longos do mundo, prolongando-se durante todo o mês de Fevereiro e boa parte de Março. Durante 40 dias, em desfiles de rua e cenários de bairros, ocorrem espectáculos cheios de cor e alegria.
Esta festa começa no último sábado de Janeiro com um desfile inaugural pela Avenida 18 de Julio, principal artéria da cidade de Montevideo, onde intervêm todos os grupos junto de carros alegóricos e bonecos gigantes que acompanham os artistas. O outro grande evento é o “Desfile de Llamadas”, que ao ritmo do tambor, evoca o encontro dos negros escravos que se reuniam fora da cidade no século XIX. Dezenas de milhares de espectadores vibram com a força e cores do espectáculo.

Folclore

O folclore uruguaio apresenta diferentes manifestações derivadas das suas diferentes origens que, em solo uruguaio, assumiram as suas próprias características. Por um lado, existem as canções e danças autóctones que nasceram no âmbito campesino como a Vidalita, a Milonga, a Payada e o Pericón, sempre acompanhadas pela guitarra. Este instrumento musical, introduzido durante o período do domínio espanhol, é inseparável de todo o cancioneiro crioulo e expressão gauchesca. Do mesmo modo, o acordeão enriqueceu com a sua graciosa cadência, a música folclórica.

O Canto Popular é constituído como expressão do sentimento colectivo, destacando-se a figura de Alfredo Zitarrosa pela sua única e inigualável voz. Anualmente, celebram-se grandes festivais folclóricos tais como o de “Minas y Abril” para recriar as melhores tradições gaúchas.

Festas Crioulas

Através de diferentes festas e festivais realizados durante todo o ano em todo o território uruguaio, expressam-se as mais representativas tradições rurais do país. São um exemplo claro disso, a Festa da Pátria Gaúcha em Tacuarembó, a Semana Crioula do Prado em Montevideo e do Parque Roosevelt em Canelones.
Desde há 21 anos, a Festa da Pátria Gaúcha em Tacuarembó, dedicada às tradições rurais, é organizada pela sua Administração Municipal no âmbito natural da Laguna de las Lavanderas, e a um quilómetro da capital departamental. É assim como através de acampamentos históricos que têm por objectivo a exaltação da imagem do gaúcho, o canto, a música, as payadas, as jineteadas, os fogones, as destrezas ao ar livre e centenas de stands, projecta-se a mais autêntica tradição da área rural.
No Uruguai, o gaúcho é uma figura importante do folclore nacional pois simboliza a liberdade a individualidade. As representações poéticas do gaúcho descrevem-no como o ideal de valentia e independência. Mas mais além de como o apresentem a música, a literatura e a pintura, este personagem constitui um símbolo importante na cultura uruguaia. É o homem de campo que trabalha principalmente a pôr arreios no gado. Na sua imagem estereotípica, está acompanhado sempre por um cavalo que, além de lhe servir de transporte, é uma das poucas posses materiais que se associam ao modo de vida gauchesco.

Gastronomia

Com reconhecimento a nível internacional, a “parrilla” é por excelência um dos mais destacados menus da cozinha uruguaia. É composta por diferentes tipos de carne assada na “parrilla”, artefacto construído em ferro e utilizado para esse fim. O segredo guardado por este antiquíssimo método de cozinhar é o facto de tornar possível a concentração dos sumos que os alimentos possuem e que conservam, assim, os seus próprios sabores característicos.
Os vinhos uruguaios são ideais para acompanhar estas requintadas carnes. Entre os que têm um destacado posicionamento internacional, distinguem-se os elaborados a partir da casta Tannat, definidos como intensos, potentes, sérios e austeros. Esta casta originária do sudoeste de França foi introduzida em meados do século XIX, e o seu cultivo foi tão bem-sucedido que actualmente o Uruguai tornou-se no maior produtor a nível mundial desta variedade.
A indústria leiteira está altamente desenvolvida no país, com produtos de excelente qualidade, sobressaindo um valioso manjar: o doce de leite. Este doce, muito apreciado tanto por crianças como por adultos, é utilizado numa ampla variedade de sobremesas e outras delícias, o que o torna no protagonista indiscutível da confeitaria uruguaia.

O Mate

O mate é uma bebida resultante da infusão da “yerba mate” (folhas desidratadas e moídas de Illex paraguayensis) e é um dos elementos culturais mais típicos e tradicionais da sociedade uruguaia.
O costume do uso do “termo” e o abandono da “caldera” para preparar a infusão é uma iniciativa uruguaia que libertou o mate fora do lar. Desta forma, e actualmente, o mate é bebido nos mais diversos espaços públicos, o que caracteriza uma das imagens mais típicas e quotidianas da sociedade uruguaia.

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